quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eventos de Capoeira: como financiá-los?

A Capoeira não está na mídia, não ocupa os espaços nobres das redes de televisão, não está nos telejornais...
Não tem audiência de milhões de espectadores, não tem apoio de empresas nacionais nem multinacionais...
Não tem marcas fortes que lhe apoiem ou que lhe financiem...
Assim, a Capoeira depende exclusivamente dela mesma e dos que a praticam...
Recentemente, o Governo Federal através do Ministério da Cultura lançou programas de apoio e fomentos para projetos e eventos relacionados à Capoeira. No entanto, esses programas não são suficientes para atender à grande demanda da Capoeira e dos capoeiristas. Estamos falando em valores de no máximo um milhão de reais para atender a toda a comunidade da Capoeira em todo o país.
Quando realizamos um evento que prevê a presença de Mestres oriundo de outros Estados, isso implica na compra de passagens aéreas. Além disso, a presença dos Mestres por três dias fora de suas cidades de origens implica em hospedagem e alimantação. Finalmente, é importantíssimo pagar à esses profissionais, que dedicaram e dedicam suas vidas à este nobre ofício, um honorário decente e que seja condizente com o valor social e cultural que eles representam. Enfim, pensando ainda em divulgação e demais despesas administrativas e operacionais.... estamos falando em valores em torno de doze mil reais. Como financiar isso, se não tem apoio da mídia, não tem apoio do geverno, não tem o apoio de marcas e grandes empresas?
A única via de financiamento são as inscrições pagas pelos participantes que acreditam que vale a pena beber da sabedoria desses Mestres, de conviver com o seu saber e de trocar informações e experiências... de vivenciar momentos mágicos que pelo resto da vida ficará na memória!
Axé!

Bule-Bule

"Eu sou fruta madura
Que na queda larga semente
Procuro a terra macia
Para ser fruta novamente"
---
 
 

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mundo animal!

O mundo animal tem suas graças. Um casal de pássaros discutindo a relação...

O seu corpo anda bem nutrido?


Vivemos numa sociedade que valoriza sobre maneira as atividades mentais e intelectuais em detrimento das atividades fisicas e corporais. Segundo esta lógia, o que há de valor nesta vida relacionasse com a mente e o raciocínio. O corpo como um todo é um mero coadjuvante desta realidade. A parte mais nobre do corpo, por certo, é o cérebro. É ele quem comanda, quem determina e quem dá as diretrizes e direções. Assim, é preciso "alimentar o cérebro" com atividades "cultas e importantes".
Nenhum problema até ai. Também acredito que o cérebro é um elemento de extrema impârtancia em nossa estrutura e fisiologia e que ele desempenha papel relevante em nossa vida. No entanto, o cérebro não existe isoladamente. Existe dentro de um todo. Além disso, as atividades intelectuais não são melhores nem piores do que as atividades corporais. Quando movimento o meu corpo, seja em atividades de ginástica, de esporte, de dança ou atividades culturais em geral, o corpo é uma unidade, integral, onde tudo entra em ação: cabeça, tonco, membros...

Mas a questão é a seguinte? Até que ponto sosmos influenciados por esta concepção que privilegia as atividades intelectuais em detrimento das atividades ditas "coporais"? No meu caso, admito que em grande medida. E no seu caso, como é?
Interssante parar para pensar sobre isso e perceber o quanto alimentamos em demasia o nosso cérebro e deixamos o nosso corpo desnutrido. Por isso a pergunta inicial: "o seu corpo anda bem nutrido?".
Talvez seja interessante equilibrar esta balança em favor das atividades onde o corpo pode se expressar e se fazer presente de uma maneira mais dinâmica e global. Dançar, correr, bringar, jogar, vadiar, nadar, capoeirar, surfar... são apenas algumas das atividades do vasto repertório da cultura de movimentos que temos a nossa disposição.
Pense nisso: como anda o seu corpo? Está bem alimentado? Não!!! Então mexa-se mais!

terça-feira, 20 de julho de 2010

A bênção, Bahia!

Uma breve e significativa poesia de Vinicius de Moraes



A bênção, Bahia

Olorô, Bahia
Nós viemos pedir sua bênção, saravá!
Hepa hê, meu guia
Nós viemos dormir no colinho de lemanjá!

Nanã Borokô fazer um Bulandê
Efó, caruru e aluá
Pimenta bastante pra fazer sofrer
Bastante mulata para amar

Fazer juntó
Meu guia, hê
Seu guia, hê
Bahia!

Saravá, senhora
Nossa mãe foi-se embora pra sempre do Afojá
A rainha agora
É Oxum, é a mãe Menininha do Gantois

Pedir à mãe Olga do Alakêto, hê
Chamar Inhansã para dançar
Xangô, rei Xangô, Kabueci-elê
Meu pai! Oxalá, hepa babá!

A bênção, mãe
Senhora mãe
Menina mãe
Rainha!

Olorô, Bahia
Nós viemos pedir sua bênção, saravá!
Hepa hê, meu guia
Nós viemos dormir no colinho de lemanjá!

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Porta está Aberta?

Ele ia andando pelo caminho
E de cansado se sentou...
Tinha saído de casa a muito tempo...
Os seus pais lhe batiam
Especialmente o seu pai, que bebia
e não tinha paciência com suas meninices...
A escola já havia ficado para trás...
Quando foi mesmo a última vez que sentou num banco de escola?
Que teve um professor? Uma professora? Colegas de turma?
Desde os doze anos, a sua escola era a rua...
Sentia-se abandonado, desprezado, margnalizado...
Aprendera a se esquivar da indiferença
Tornara-se indiferente, criara uma casca grossa
Nessária para viver aquela realidade...
Pensou que não teria solução
Que a vida era difícil
E que não lhe traria oportunidades
Vivia sem emprego
Na periferia de uma grande cidade
Sem opções de lazer e cultura
No seu bairro não tinha campo de futebol,
Não tinha parque, brinquedos, bibliotecas,
Muito menos museo, cinema, teatro...
Essas coisas que ele só tinha ouvido falar
Mas nunca conhecera de perto...
Levantou, andou mais um pouco
Estava com fome.
Parou diante de um portão...
Seria mais uma casa,
onde os moradores viviam confortavelmente...
Pensou em pedir um copo d´água.
Pensariam que ele era um bandido
E nem sequer lhe atenderiam.
mas a fome e a sede eram grandes
Eram maiores do que ele...
Viu a porta fechada.
Não escutou nenhum barulho.
Estaria vazia? estariam dormindo?
Pensou em bater na porta?
Iria incomodar?
Bateu. Toc, toc, toc!
Nada.
Esperou um pouco e tentou de novo.
Tum, tum, tum!
Nada.Pensou em abrir a porta... quem sabe estaria aberta?
Poderia entrar?
Pensariam ser ele um marginal, querendo roubar... não era essa a sua intensão...
Já não tinha forças para andar ou ir a nehum lugar.
Sentou ali mesmo e ficou.
Passou a noite. Sentiu frio, mas ao menos dormiu e sonhou...
Acordou assustado!
De repente chega alguém na rua, do lado de fora...
- "Olá, voce está procurando alguém, precisa de alguma coisa?"
- "Estou com fome e sede. Gostaria de um copo de água e algo para comer".
- "Claro, entre! A porta está aberta!"

sábado, 3 de julho de 2010

Ubuntu (Eu Sou porque Nós Somos)

Ubuntu é uma ética ou ideologia de África (de toda a África, em particular a palavra é de origem Bantu. É uma filosofia Africana que existe em vários países de África) que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras. A palavra vem das línguas dos povos Banto; na África do Sul nas línguas Zulu e Xhosa. Ubuntu é tido como um conceito tradicional africano.


Uma tentativa de tradução para a Língua Portuguesa poderia ser "humanidade para com os outros". Uma outra tradução poderia ser "a crença no compartilhamento que conecta toda a humanidade".

Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:

Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.

Princípios fundamentais da nova república da África do Sul

Ubuntu é visto como um dos princípios fundamentais da nova república da África do Sul (no Zimbabue por exemplo, Ubuntu tem sido usado como forma de resistência à opressão existente no país), e está intimamente ligado à idéia de uma Renascença Africana. Na esfera política, o conceito do Ubuntu é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária envolvida nessas decisões.

Louw (1998) sugere que o conceito do Ubuntu define um indivíduo em termos de seus relacionamentos com os outros, e enfatiza a importância como um conceito religioso, assentando na máxima Zulu umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) que aparentemente parece não ter conotação religiosa na sociedade ocidental. No contexto africano, isso sugere que o indivíduo se caracteriza pela humanidade com seus semelhantes e através da veneração aos seus ancestrais. Assim, aqueles que compartilham do princípio do Ubuntu no decorrer de suas vidas continuarão em união com os vivos após a sua morte.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ubuntu_(ideologia)